
Olá fashionistas!
Voltamos com um novo estudo de mercado, direccionado ao mercado alternativo, mais especificamente à loja 67. Foi um estudo muito interessante, e que esperamos que motive os nossos visitantes a ir dar uma espreitadela nesta loja tão diferente. O estudo foca os aspectos relevantes do tipo de venda dado nesta loja e como a sua gerente articula os consumidores, os fornecedores, etc. Apresentamos então os resultados da nossa pesquisa.
A LOJA
Situada na Avenida da Liberdade, em Lisboa, na porta que lhe corresponde ao nome, esta loja começou, no ano de 1914, por ser uma vacaria, que fornecia leite e tinha, inclusivé, vacas no seu interior. Posteriormente sucederam-se outros tipos de mercado até que nos anos 50 este estabelecimento se tornou numa oficina de automóveis. Desde então os seus proprietários iniciaram ligações a feiras de automobilismo, chegando mesmo a colaborar com com

petições ao nível profissional.
Assim, do automobilismo à venda de diversos acessórios foi um pequeno passo, tornando-se esta loja cada vez mais eclética.
Ao entrar na loja, a primeira chamada de atenção é delegada a um grande móvel de estilo barroco de madeira talhada em cornucópias e anjos. Esta peça confere um contraste interessante com o carácter descontraído e quase familiar da loja. Abstraindo-nos deste facto, o passo seguinte é procurar um artigo que seja do nosso interesse ou então satisfazer a curiosidade relativa a este estabelecimento tão invulgar, uma vez que existe uma infinidade de produtos, de diferentes tipos, e que podem interessar aos mais variados clientes.
OS PRODUTOS
Observando a montra pela primeira vez, sem conhecer o passado da loja, poder-se-à pensar que o seu conceito se baseia na junção de várias tribos urbanas num mesmo espaço. No entanto, com a nossa observação, constatamos que existe uma maior importância em artigos relacionados com motociclismo e automobilismo, de entre os quais se destacam peças de roupa em pele (casacos e calças de cabedal), como também outras peças de cariz desportivo e prático. Claro que, como

qualquer tipo de vestuário, estas peças tornam-se emblemáticas em diversas tribos urbanas (hippies, punks, góticos, motoqueiros, metaleiros, etc.). Numa atitude inteligente, a loja soube procurar artigos do interesse de cada um destes grupos, disponibilizando variedade para um público também ele muito variado, e acabando por coincidir estes interesses com os dos proprietários d

a loja.
Assim, muito para além de emblemas automobilísticos, luvas, botas, e toda uma gama de artigos relacionados com a origem da loja, está disponível um universo de bijuteria gótica e punk, como também objectos decorativos de cariz espiritual como espanta espíritos e caçadores de sonhos. Ainda a acrescentar temos as t-shirts de várias bandas dis

tintas, respectivos patchs, pins, postais e posters que vão dos Metálica às Spice Girls.
Numa última observação, apesar de ser uma loja muito interessante e que chama a atenção de um grande número de pessoas, a 67 não se insere directamente no mercado de vestuário, sendo que não se preocupa em disponibilizar quantidade e variedade ao nível de peças – quando se trata de roupa, prefere apenas garantir que terá artigos interessantes para os clientes habituais e para os mais curiosos.
AS MARCAS
Contrariando estratégias standard de mercado, os proprietários desta loja não dão relevância ao factor “marca”. Os critérios de escolha dos produtos baseiam-se exclusivamente no gosto pessoal - ou como foi referido pela proprietária, o “feeling” - e numa tentativa de resposta às necessidades dos seus clientes. Por outro lado, à medida que o gosto dos proprietários foi evoluindo, também os artigos que adquirem para a loja vão variando ou aumentando a nível de variedade.

Assim, acaba por existir uma diversidade imensa de marcas, tal como de produtos, que podem ou não ser identificadas pelo público. De entre estas pode-se destacar a marca DockMartins, que tem inclusivé um expositor próprio e publicidade presente na loja. Entretanto, mais nenhuma marca assume uma posição semelhante, sendo que há peças que nem possuem etiqueta. As peças ganham campo na loja não pela sua marca mas sim pela sua categoria (ou é um cabedal, ou um acessório automobilístico, ou t-shirt, etc.).
OS FORNECEDORES

Os seus fornecedores são na sua maioria provenientes de Inglaterra. Estes agentes e representantes de diversas marcas consideram que a loja 67 é um dos locais propícios ao escoamento dos seus produtos. Por este motivo, um dos meios pelos quais a loja adquire os produtos é através da visita dos representantes das marcas à loja, possibilitando uma escolha personalizada no momento.
Devido à peculiaridade de artigos existentes na loja, esta torna-se apelativa para marcas que não queiram estar presentes em lojas mais massificadas mas sim em lojas alternativas, às quais as pessoas vão sempre recorrer para encontrarem produtos diferentes e diversificados que actualmente escaceiam no mercado.
Por fim resta referir que a loja 67 não negoceia com feiras, sendo que os seus fornecedores são conhecidos de longa data (das referidas viagens a Inglaterra para eventos automobilísticos) ou adquiridos a partir da personalidade inerente à loja.
OS PREÇOS
Os preços, de acordo com a vasta oferta, são muito variados. Analisando específicamente as peças de roupa, constatamos que aquelas com preços mais elevados são os casacos e as calças de pele rondando os 100 e os 180 euros. Também as botas de biqueira de aço estão marcadas aos 125 euros. Umas calças fantasia tartan podem chegar aos 90 euros e as mais baratas ficam pelos 30 euros. Outros acessórios de moda como os cintos podem custar de 15 a 20 euros.
OS CLIENTES
Obedecendo às características que tem, a loja 67 possui um público muito diversificado, onde se inserem pessoas de todas as faixas etárias e de todos os grupos sociais. Numa observação passiva, podem-se ver tanto crianças, jovens raparigas, ou homens de mais idade a entrar neste estabelecimento. Enquanto observávamos a loja, nenhum dos clientes que entrou aparentava pertencer a alguma tribo urbana, contrariando qualquer primeira impressão que se possa ter acerca deste estabelecimento. Por outro lado, estas pessoas também são clientes: afinal, os artigos disponíveis dirigem-se precisamente a estes grupos, quer intencionalmente ou não.
A fidelidade é, surpreendentemente, inerente a alguns clientes. A loja orgulha-se de ter clientes em diversos po

ntos do país, até mesmo fora do continente (Açores, Madeira). Da mesma forma, os clientes passam de geração em geração, sendo que os avós levam os seus netos, que por sua vez se tornam, também, clientes.
É de referir também, tendo em conta a localização central da loja e o seu factor peculiar, que muitos turistas são levados a entrar na loja e servirem-se de alguns artigos como lembrança ou souvenir. O facto de os turistas poderem fotografar a loja divulga a mesma para outros visitantes dos respectivos países.
Da mesma maneira que desperta a atenção do público em geral, também produtores de cinema e de televisão procuram a diversidade que a loja 67 disponibiliza. Segundo a senhora que gere a loja, já teve várias ocasiões em que vendeu para teatro, ou filmes, tendo inclusivé atendido La Féria.
OS CONCORRENTES
Embora não tenhamos nenhuma outra loja de referência que possamos considerar como um concorrente directo à loja 67, devido à diversidade de oferta de produtos, claro que outras lojas têm produtos iguais ou semelhantes, sendo que na sua maioria são mais a

profundadas na respectiva temática. Tomemos por exemplo a loja Off Limits. Esta loja vende artigos de decoração góticos, streetwear e marcas como a “Resina”, aprofundando o conceito de arte de rua (grafittis). Por outro lado, existe também a loja “Orientese”, que vende artigos mais relacionados com o espírito hippie, como incensos, roupa étnica, e artigos indígenas, alguns dos quais também se encontram na loja 67.
Comprova-se então que a loja estudada não tem qualquer concorrente directo, mas sim concorrentes indirectos que, apesar de abordarem temáticas diferentes na sua essência, e conceitos específicos, vendem artigos que também se encontram presentes na loja que estudámos.